Páginas

terça-feira, 28 de abril de 2026

Nosso Clube de Leitura e o livro do mês

Fazia uns 10 anos ou mais que eu tinha um grande desejo de participar de um Clube do Livro presencial pra conversar com pessoas bacanas sobre determinado livro. Muitas coisas aconteceram comigo nesses últimos anos e década, mas essa vontade seguiu aqui. Em outubro de 2025, finalmente quis tirar isso de dentro de mim e joguei a ideia nos meus stories do Instagram e do WhatsApp sobre um Clube de Leitura em Duartina. Eu precisava comprovar se teria alguém mais interessado nisso ou se era só um sonho da minha cabeça irrealizável em Duartina, cidade onde vivo há 25 anos.

Para minha surpresa e alegria, uns bons amigos me falaram que tinham interesse em participar e no mês seguinte começamos. Rapidamente criei um grupo no WhatsApp e fui desenhando como seria esse clube, com a ajuda do pessoal. Não podia deixar aquela energia se dissipar. No mês seguinte, dia 19 de novembro, tivemos nosso primeiro encontro, e ontem, dia 27 de abril de 2026, o quinto.


Já lemos e conversamos sobre “A metamorfose”, de Franz Kafka, traduzido por UNAMA, “O profeta”, de Khalil Gibran, com tradução de Bettina Becker, “Em busca de sentido”, de Viktor Frankl, traduzido por Carlos Cardoso Aveline e Walter O. Schlupp, 
“O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, traduzido por Fernando de Castro Ferro e "A Cabeça do Santo", escrito pela brasileira e cearense Socorro Acioli. 

O livro de ontem foi uma delícia de ler, com uma linguagem gostosa, divertida e fácil. Fazia tempo que eu não ria tanto lendo um livro, porque acabo lendo coisas mais densas, que é o que gosto mais. Mas valeu a pena. Não é um livro que vai mudar a vida de ninguém, mas acrescenta umas horas de leveza nos nossos dias. Além disso, deu pra aprender umas coisas sobre cultura pra quem gosta de aprofundar. No encontro, falamos das mornas, de cordel, realismo mágico, Gabriel García Márquez.

O que eu gostei mesmo desse livro foi a linguagem da escritora; ela escreve muito bem. Realmente uma delícia ler a língua portuguesa do jeito que ela escreveu. A escolha das palavras é bem cuidadosa, e o livro tem frases muito boas, graciosas e até filosóficas. Fiz uma coletânea delas:

página 12 O desmaiado era bonito e foi isso que o salvou.

p. 17 Nem o ar tinha esperança de ser vento.

p. 18 A única forma de comover naquele pedaço perdido de mundo era a ameaça de que Deus estava vendo tudo e não tolerava descaridades.

p. 40

 Não chama o santo de diabo, homem, é pecado.
— E ler revista de mulher nua na cabeça do santo, é pecado não?

p. 41 Essa cabeça parece que dá inteligência, porque eu tô tendo uma ideia. 

p. 51 Até a morte faz falta quando demora a vir.

p. 51 Desgraça é tudo coisa de se rir.

p. 53 [Contexto: O nome de uma personagem do livro é Madeinusa]

Seu pai falava que coisa linda como ela haveria de ser importada, como o rádio que ele comprou. Na caixa estava escrito: "Made in USA".

p. 60 Era tudo tão lindo que nem coube nos seus pequenos sonhos. Ela precisou aprender a sonhar mais.

p. 107 Via-se de tudo, porque esperança e desejo obram o impossível. 

p. 109 Falava várias línguas, o Fernando. Conversa embriagando. 

p. 122 Nunca é como a lua, não pertence a ninguém.

p. 146 Isso de ter fé é o que desgraça gente pobre como eu. 

p. 149 Não se mata alguém já tão abandonado pela vida. 

p. 153 Tu mente tanto que nem adianta mais querer ser honesto. 

p. 155

— Final, final mesmo, Samuel, é só quando eu baixar teu caixão na cova. Ainda dá tempo.

— Tu sonha muito, Chico.

— Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.

p. 119 Essa forma de viver sem sonhos, sem caminhos novos, como se aquela cidade fosse o mundo todo, e não era. O mundo é grande, cheio de coisas, tudo longe dele. E o pior: em Candeia não tinha vento. Ele precisava ventilar o corpo, as ideias, dependia de vento batendo no rosto. Por tudo isso não pensou duas vezes: Fernando foi sentir o vento na África.

Sobre nosso Clube de Leitura em si, as conversas que temos nos encontros são sempre muito ricas e agradáveis e é muito interessante ver como cada um interpretou determinada parte ou como visualizou certa cena. Enquanto rolam papos existenciais estimulados pelo livro, a gente vai se conhecendo e fortalecendo as amizades. 

Conhecer e se aprofundar nos livros que a gente escolhe é realmente algo precioso. Mas, pra mim, o livro está sendo um belo pretexto pra ter papos incríveis por 2 horas por mês com pessoas bacanas. Penso que o mais importante no fim é estarmos juntos ao vivo e trocarmos ideias edificantes sobre o livro. Eu saio energizada de cada encontro. Ainda mais nesses tempos em que a maioria das nossas trocas com outros seres humanos é por meio de uma tela, como essa pela qual você me lê agora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com respeito e educação!
Comentários desrespeitosos não serão publicados. ;-)